“Você pode ter vocação, pode ter desejo, mas se não tiver conhecimento, se não houver alinhamento técnico com o seu negócio, as dificuldades aparecem”, afirmou. Para ele, é fundamental que o sistema de ensino público passe a abordar o universo do empreendedorismo de forma prática e acessível, com o uso de termos do mercado como trade, network, stakeholder, share, entre outros.
Celso defende que a educação voltada ao empreendedorismo deve começar cedo, ainda nas escolas, para que os jovens das periferias se familiarizem com os caminhos para montar e manter seus negócios. “Formação, informação e qualificação são indispensáveis para quem empreende”, reforçou.
Outro ponto crucial citado por Athayde é o fortalecimento da autoestima nas comunidades. Segundo ele, a favela precisa se reconhecer como um espaço de inteligência, criação e potência. “Você não pode falar com medo, como coadjuvante, quando deveria ser protagonista. O negócio é da periferia e você é o especialista.”
Para Celso, é imprescindível que os moradores das favelas se tornem especialistas em seus próprios territórios, detendo informações reais e atualizadas sobre a realidade local. “Se você mora na favela, você precisa ter as maiores informações sobre o seu lugar. Caso contrário, alguém do asfalto vai dizer por você quais são os números e as estatísticas.”
Ao final da entrevista, o jornalista Nando Barbosa prestou uma homenagem ao trabalho de Celso, reconhecendo o impacto da CUFA no Brasil e no mundo: “Celso, quero parabenizar você. A CUFA alcança muitas vidas, não apenas com alimento, mas com oportunidade. Você entrega a vara para que as pessoas possam pescar. Parabéns pelo seu trabalho, por ser um gênio e ajudar tantas pessoas.”
Em resposta, Celso agradeceu e deixou um recado especial: “Fica o meu abraço para Itapecerica da Serra, para todos os parceiros e colaboradores da CUFA. Acreditem no seu potencial. Ou a gente divide com as favelas a riqueza que ela produz, ou vamos continuar dividindo as consequências da miséria.”
A Expo Favela 2025 segue como uma plataforma poderosa de inovação social, conectando grandes empresas, investidores e talentos periféricos, e reafirmando que a favela não é carência, é potência.
Por Flavia Barbosa, para o Joi - Jornal O itapecericano.
