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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026

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Criminosos burlam proibição e usam arsênio em casos de envenenamento

Mortes recentes reacendem alerta para venda ilegal de compostos de arsênio pela internet, incluindo um caso trágico em Itapecerica da Serra envolvendo adolescentes. Produto é facilmente comprado e misturado a alimentos.

Criminosos burlam proibição e usam arsênio em casos de envenenamento
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Criminosos estão conseguindo burlar a proibição da venda de compostos de arsênio e comprá-los de forma ilegal pela internet. A falha nos sistemas de controle tem permitido o acesso ao produto químico altamente tóxico, resultando em mortes que chocaram o país nos últimos meses.

O arsênico , ou mais precisamente, o óxido de arsênio, é utilizado legalmente na mineração, na indústria de metais e couros e, em doses controladas, até em tratamentos contra o câncer. Ele também aparece na agricultura e, por isso, está presente em pequenas quantidades em alguns alimentos. Mas, em doses elevadas, pode ser fatal.

Segundo o químico Marcos Makoto Toyama, a dosagem letal gira em torno de 70 miligramas por quilo corporal. E foi exatamente esse o mecanismo usado em dois casos trágicos com desfechos semelhantes: bolos envenenados e vítimas fatais.

Em dezembro de 2024, no Rio Grande do Sul, três pessoas da mesma família morreram após comerem um bolo. A suspeita era Deise Moura dos Anjos, nora de uma das vítimas, que foi presa e, dias depois, encontrada morta na cela.

Seis meses depois, a tragédia se repetiu em Itapecerica da Serra, São Paulo. Uma adolescente morreu e outra foi hospitalizada após comerem bolos de pote enviados por uma colega de 17 anos. A jovem confessou o crime, motivado por ciúmes, e revelou ter comprado o óxido de arsênio online.

Apesar da proibição desde 2005, o controle da venda pela internet é falho. A aquisição do produto só deveria ser possível por empresas autorizadas, mediante registro detalhado de uso e armazenamento. Mas, como demonstrado, esse sistema tem sido burlado com facilidade.

Em nota, o Conselho Federal de Química afirmou que tem intensificado fiscalizações em parceria com conselhos regionais para rastrear a origem da substância e coibir o comércio ilegal.

O óxido de arsênio é um pó branco, sem cheiro, com aspecto semelhante à farinha. Misturado aos alimentos, passa despercebido. Os sintomas surgem em até duas horas após a ingestão: vômitos, dores abdominais, tremores, diarreia e sangramentos.

Segundo a médica legista Caroline Daitx, embora o envenenamento pareça um crime difícil de resolver, os sinais são evidentes. “Mesmo em casos de exumação, ainda conseguimos detectar a presença da substância. Não existe crime perfeito”, reforça.

A morte da adolescente em Itapecerica da Serra provocou comoção e acendeu o alerta para a necessidade urgente de reforçar o controle sobre substâncias perigosas. O risco continua presente, e acessível a poucos cliques de distância.

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