A 25ª edição da Festa do Livro da USP começa nesta quarta-feira, dia 8, na Cidade Universitária. O tradicional evento organizado pela Editora da USP (Edusp) se estende por cinco dias pela primeira vez. Neste ano, 211 editoras estarão presentes, desde gigantes do mercado editorial até as de menor expressão, que têm a oportunidade de serem apresentadas ao enorme público de leitores.
“Se a gente for pensar nos selos editoriais dentro das 211 editoras, a gente passa de 320”, comenta Márcio Pelozio, chefe comercial da Edusp e organizador do evento desde 2003. Todos os livros serão vendidos com no mínimo 50% de desconto. A lista de editoras presentes pode ser acessada neste link. Segundo Pelozio, a expectativa de público para cada um dos dias até domingo (12) é de 10 mil a 12 mil pessoas.
“Ela começou com um grande estoque de livros de editoras que só conseguiriam chegar ao público com uma festa”, relembra Plinio Martins Filho, idealizador da Festa em 1999 e atual editor da Editora da USP (Edusp). A primeira edição aconteceu no vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) com apenas 31 editoras e duração de dois dias.
“Nós criamos essa festa para mostrar o que estamos produzindo e que sempre foi excluído das grandes redes de livrarias”, diz Martins sobre os livros acadêmicos. A edição atual contará com a presença de 32 editoras universitárias, de acordo com Pelozio. A proposta inicial era convidar editoras pensando nos estudantes da Universidade como público principal, então a venda de bibliografias dos cursos era um dos critérios para a seleção. Segundo o editor, a escolha por chamar o evento de Festa passa pela ideia do convite: “Uma festa é diferente de uma feira, porque somos convidados para a festa, nós, leitores, e as editoras”.
A partir da 13ª edição, três prédios da Escola Politécnica (Poli) da USP foram usados para o evento. Na época, 145 editoras já faziam parte da Festa. A mudança para o espaço atual aconteceu em 2015, quando uma tenda foi montada na Travessa C da Avenida Professor Mello Moraes, e garantiu mais de 4.000 m² para o evento. Hoje, editoras universitárias se unem a editoras de ficção, de livros infantis e de histórias em quadrinhos. A mudança na estrutura física do evento deu outra dimensão à Festa, conta Pelozio. “A demanda por um espaço maior possibilitou um aumento muito grande de público e de editoras”, explica. Segundo o organizador, o público externo ao campus tem maior possibilidade de frequentar o evento no final de semana, por isso, ele se estende até domingo.
“A gente está vendo que, apesar de todas as previsões e mesmo de políticas contra os livros, ele ainda é muito importante”, relata Martins sobre o grande número de pessoas que compram obras na Festa. “O livro ainda é o principal meio de formação das pessoas”, continua o editor.
Martins defende que o contato com livros físicos é diferente de ler livros virtuais. “A fabulação que você tem quando você está lendo no papel é diferente da imaginação quando você está com um livro virtual.” Para o editor, o livro digital ainda não é um produto de consumo de massa. Ele tem a função de informar rapidamente e há muita perda sensorial na experiência de ler um e-book, defende Martins.
