A Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no crime. Na manhã desta segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
O que aconteceu
Segundo moradores, Orelha estava desaparecido havia alguns dias. Durante uma caminhada, uma das pessoas que costumavam cuidar do animal o encontrou caído, ferido e agonizando.
O cachorro foi levado imediatamente a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, os profissionais informaram que não havia possibilidade de recuperação, sendo necessária a eutanásia.
Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região Silvio Gasperin se emocionou ao relatar o ocorrido:
“A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”
📌 Quem são os suspeitos
A Polícia Civil chegou aos suspeitos após análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores. Segundo as autoridades, todos os possíveis envolvidos já foram identificados.
Também é apurada a denúncia de que um policial civil, pai de um dos adolescentes, teria coagido uma testemunha. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, informou que essa informação está sendo investigada, mas negou qualquer participação de policial no crime.
📌 A investigação
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) acompanha o caso por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital (Meio Ambiente). Diversas pessoas já foram ouvidas e novas oitivas estão previstas.
No domingo (25), o governador Jorginho Mello (PL) se manifestou nas redes sociais, afirmando que as provas já foram reunidas e que o caso foi redistribuído após a juíza inicial se declarar impedida.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que irá avaliar os elementos e adotar as providências cabíveis. Como há suspeita de participação de adolescentes, o caso segue as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
🐾 Quem era Orelha
A Praia Brava possui casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes da região. Orelha era um deles.
O aposentado Mário Rogério Prestes, responsável por alimentar os animais diariamente, contou que Orelha fazia parte da rotina local:
“Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado.”
O cachorro convivia com moradores, comerciantes e outros animais do bairro. Para a empresária Antônia Souza, tutora de uma cadela chamada Cristal, Orelha era parte da identidade da região:
“Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui sabe de quem estamos falando. O Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos.”
📢 Mobilização e protestos
Desde a confirmação da morte, moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal passaram a se mobilizar pedindo justiça.
No sábado (17), foi realizada a primeira manifestação pública. No último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas na Praia Brava. Vestindo camisetas e segurando cartazes com frases como “Justiça por Orelha”, os participantes caminharam com seus cães e fizeram uma oração em homenagem ao animal.
A mobilização também ganhou força nas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha.
No domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando o caso e cobrando providências das autoridades.
