O outono chegou ao fim às 11h58 desta quarta-feira (21), deixando na cidade de São Paulo a sua marca da amplitude térmica, com mínima de 9,3ºC e máxima de 32,3ºC.
A mínima ocorreu no último sábado (17), e foi a menor temperatura do ano na capital paulista, e a máxima ocorreu no dia 26 de março. A estação começou no dia 20 daquele mês.
As grandes amplitudes térmicas diárias, ou seja, a grande variação entre a maior e a menor temperatura registradas numa mesma data são marcas da estação e provocam o "efeito cebola", quando as pessoas colocam e tiram várias camadas de blusas. Em abril, por exemplo, houve dia em que essa diferença foi de 13,8°C.
A estação também foi marcada pela suspeita de mortes de moradores de rua. A polícia da capital investiga ao menos quatro óbitos por suspeita de hipotermia — quando o corpo humano fica exposto a temperaturas baixas por muito tempo e perde calor em excesso, afetando a circulação sanguínea e o funcionamento dos órgãos.
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Sistema Cantareira — Foto: Lucas Rangel/TV Vanguarda
Diferente do que é esperado para ocorrer no outono, quando tem início o período de estiagem em São Paulo, o Sistema Cantareira teve aumento de 4,4 pontos percentuais em seu volume operacional entre 20 de março e este 21 de junho.
Segundo o professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), o cenário é reflexo da transição do fenômeno La Niña para o El Niño, fase em que o clima não se comporta de forma usual, podendo alternar entre períodos de chuvas intensas e concentradas e dias seguidos sem precipitação.
O especialista diz que as mudanças climáticas acabam intensificando esses eventos, o que levou o Cantareira a registrar alta, mesmo em meses que são historicamente mais frios e menos chuvosos.
No Alto Tietê, o segundo maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo, houve registro de apenas 0,4 pontos percentuais de queda no volume. Já nos outros dois que compõem o quarteto responsável pelo abastecimento da Grande SP, Guarapiranga e Rio Grande, tiveram baixa de 7,7 e 1,5 pontos percentuais, respectivamente.
Veja como foi a estação mês a mês
MARÇO — a partir de 20/03
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Público curte shows no Lollapalooza 2023, com sol em SP neste domingo (23) — Foto: Deslange Paiva/g1
- No início do outono, massas de ar quente provocaram o aumento das temperaturas e da incidência solar na capital, permitindo a formação do poluente Ozônio, conhecido como "gás do efeito estufa", que chegou a ter concentrações classificadas como "ruim" em oito estações de medição da Cetesb na Região Metropolitana;
- Apesar disso, a atuação de áreas de instabilidade favoreceu a dispersão de poluentes na atmosfera;
- Em 26/03, a capital registrou a maior temperatura do mês e da estação: 32,3°C.
ABRIL
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Pedestres enfrentam sexta-feira fria neste feriado de Tiradentes na Zona Sul da capital paulista — Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo
- O mês teve nove dias de chuva significativa (com volume maior ou igual a 1 mm), levando a 104,6 mm de precipitação acumulada — 20% acima do esperado;
- As temperaturas médias ficaram próximas às esperadas, sem grandes desvios: máxima de 26,1°C e mínima de 17,5°C;
- Em 02/04, a capital registrou a maior amplitude térmica diária (variação entre a temperatura mais baixa e a mais alta de um mesmo dia): 13,8°C;
- Alguns dias tiveram atuação de massas de ar quente, gerando condições propícias para a formação de Ozônio, que atingiu a qualidade "ruim" em uma das estações da Cetesb na Grande SP.
MAIO
- O volume aculumado de chuvas ficou 22% abaixo do histórico, totalizando 51,5 mm — a capital ficou quase 20 dias seguidos sem registrar precipitação;
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Sol aparece entre as nuvens na Zona Leste de SP e sensação de frio predomina — Foto: Renata Bitar/g1
- Em 31/05, a capital registrou a menor temperatura máxima do ano (16,9°C) e também a menor amplitude térmica diária, com uma variação de apenas 1,5°C entre a temperatura mais alta e a mais baixa do dia;
- As temperaturas médias ficaram acima das históricas para o mês. A média das máximas foi de 24,7°C (1,3°C maior que o usual) e a das mínimas, 15,6°C (0,9°C maior);
- Entre os dias 23 e 27, a capital ficou sob influência da atuação de uma massa de ar quente e seco, o que dificultou a dispersão de poluentes na atmosfera;
- Em seguida, nos últimos dias do mês, uma massa de ar frio combinada com chuvas provocadas por um sistema de alta pressão atmosférica derrubou as temperaturas na cidade. Três pessoas em situação de rua foram encontradas mortas com suspeita de hipotermia;
- Até o momento, maio foi o mês que registrou a menor velocidade média de ventos no ano, com a rajada mais forte chegando a 35 km/h.
JUNHO — até a manhã de 21/06
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Rua na Zona Sul da capital paulista, em junho de 2023 — Foto: Renata Bitar/g1
- No início do mês, a prefeitura anunciou novas medidas de acolhimento nos abrigos da capital em dias frios;
- Uma quarta pessoa em situação de rua foi encontrada morta, também com suspeita de hipotermia;
- Em 17/06, a capital registrou a temperatura mais baixa da estação e do ano: 9,3°C.
Transição para o inverno
Aconteceu na manhã desta quarta-feira o fenômeno astronômico denominado Solstício de Inverno, que dá início à estação marcada pela redução no nível chuvas, queda na umidade relativa do ar e aumento dos casos de doenças respiratórias.
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Vista da névoa de poluição que encobrindo a cidade de São Paulo, em 28 de julho de 2022 — Foto: BRUNO ESCOLASTICO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Durante essa época do ano, a inclinação da Terra reduz a incidência dos raios solares no Hemisfério Sul do planeta (onde está localizado o Brasil), tornando as noites mais longas do que os dias.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo, o inverno de 2023 deve ser mais quente do que este outono, devido a atuação do El Niño, e a precipitação acumulada deve ficar dentro da média, diferente de como foi no último ano.
* Esta matéria utilizou dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo (CGE-SP), da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
